Seria minha primeira participação
num Encontro de Motociclistas. Tudo bem que em 2016 estive no Moto Rock em
Guarapari-ES, mas não passava de um curioso. Não era membro ainda dos Leviatãs.
Por incrível que possa parecer, o
evento não era o que me empolgava, mas havia um bom tempo que saía com a
galera. Faculdade, trabalho, etc. eram os reais argumentos que me impediram de
participar dos últimos rolés.
Desta vez o passeio tinha uma
novidade: um número maior de esposas, além da presença de novatos. Ricardo e
sua companheira iriam, além de um amigo de Ezequiel como carona. Infelizmente,
sentiríamos falta de um HC (Homem de Colete, termo criado por mim): o
vice-presidente Chicão que, por motivos familiares, não iria.
Na sexta-feira, 23 de Junho,
reunimos na casa de Pedro, presidente, para alinharmos a viagem. O churrasco e
os acompanhamentos, muito bem preparados por Pedro e Anna, sua esposa, foram
servidos pelas cervejas levadas por cada um. Estiveram presentes, se não me
engano, além dos anfitriões, Ricardo e a companheira, Dariomar, Áureo,
Ezequiel, Klebin e a esposa, que chegaram quando eu estava saindo.
Definidos os horários de saída, 9
horas do sábado, dia 01 de julho, a partir do posto Guarave, encontraríamos
Dariomar no posto de gasolina de Santa Mônica. Aliás, o horário de saída foi
assim determinado porque sabíamos que a viagem duraria cerca de 3 horas, além
de o encontro começaria à tarde, com shows à noite.
Assim o fizemos.
Desta vez decidi não
levar bolsa amarrada no banco do carona, mas uma simples mochila nas costas com
roupas e matérias de higiene pessoal.
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| Saída - Posto Guarave |
Às 9 horas, conforme combinado,
todos chegaram. Foi impressionante. Ninguém se atrasou.
Motos limpas, pneus calibrados,
cumprimentos. Tudo estava pronto para nosso passeio.
Conforme combinado, encontramos
com Dariomar e sua esposa no Posto de Santa Mônica. Novos cumprimentos.
Nesta viagem decidimos por algo simples, mas se mostrou eficiente. O presidente arrecadou da maioria o dinheiro
necessário para pagar os três pedágios: Guarapari-Vila Velha, Vila
Velha-Vitória e o depois da Serra (não me lembro da divisa com qual cidade).
Também, pela primeira vez, tive uma falsa sensação de passar pelo pedágio sem
pagar, como num ato infracional. Aquela ideia, embora errônea, de alguma forma
me fez bem. É fato que há tantos impostos que pagamos, que não concordo com o
pagamento de tais passagens. Porém, como dizia meu pai: “Dura Lex, Sed Lex” (A
lei é dura, mas é a lei).
Fizemos nossa primeira parada
ainda na Serra. Foi importante principalmente para os caronas relaxarem um
pouco. Na oportunidade soube que a companheira de Ricardo dormia durante a
viagem:
— Na Rodovia do Sol eu dormi. Mas
aqui na Serra, com o trânsito pesado, ficou mais difícil.
— O tempo todo tenho que ficar
batendo na perna dela, pra acordar. Já estou acostumado. Ela é assim mesmo –
justificou Ricardo.
Depois de Serra, não sei quantos
quilômetros percorremos. O fato é que Áureo ultrapassou a todos e pediu para
que parássemos. Pedro tinha ficado pra trás por um motivo simples. A bolsa de
viagem, que estava amarrada, soltou-se, caindo perto de um cafezal.
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| Restaurante Ibiraçu |
Seguimos viagem até o Restaurante
Ibiraçu, onde paramos para o café. Comi apenas um pastel, pois fiz o desjejum
antes de sair de casa (diabético não pode ficar sem comer).
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| Restaurante de Ibiraçu |
Na saída do lanche parei para
momento de contemplação: a chegada dos irmãos ricos. Chamava assim ao grupo de
motociclistas formado por motos caras (normalmente Harley Davidson). Bom, é
fato que não fui o único a contemplar aquela imagem maravilhosa. Meus
companheiros fizeram o mesmo.
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| Harley Davidson no Restaurante Ibiraçu |
Também aproveitamos o momento
para conversar com membros de outro MC (Moto Clube) que estavam esperando
resolver o problema de pneu furado de um companheiro deles. Tratava-se de um
grupo de vinha do interior de Minas Gerais.
Dali partimos para o trecho mais
complicado da viagem: a estrada para Colatina.
É bem verdade que a
estrada estava muito tranquila, com poucos buracos. O problema era a falta de
acostamentos, além de uma cena terrível que vimos: um caminhão, durante uma
ultrapassagem, foi seguido por um pálio que queria ultrapassá-lo pelo canto
contrário da pista contrária, ou seja, onde “teria” um acostamento. Assistimos
a tudo atônitos.
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| Eu na chegada a Colatina |
No mais a viagem seguiu tranquila
até chegarmos a Colatina, onde paramos por um motivo que até agora eu não sei.
A única certeza que tenho é que atravessamos a ponte e retornamos, pois
tínhamos passado do local de entrada para a cidade.
O evento estava, literalmente, na
entrada da cidade.
Entramos com nossas motos.
Paramos, mas não descemos. Decidimos ir para o hotel onde, após check in,
iríamos sair pra almoçar e descansar até às 18:30h, quando iríamos para o
Evento.
Assim o fizemos. No hotel, após o
check in e deixarmos nossas coisas nos quartos, encontramo-nos no saguão para o
almoço. Ricardo e sua companheira não foram, pois estavam satisfeitos com o
lanche que fizeram em Ibiraçu.
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| Restaurante Água Viva |
Encontrar um
restaurante aberto foi uma luta. Sorveterias, haviam muitas abertas.
Restaurante, encontramos um que estava pra fechar as portas. Entramos e nos
servirmos do restante da comida que ali estava. Ezequiel e seu companheiro
preferiram um lanche na padaria. Deixou-se e foi ao seu objetivo.
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| Avenida em Colatina |
Após o almoço passamos por um
supermercado local pra comprar bebidas e comidas. À tarde, no hotel, dividi o
quarto com Áureo. Quis dormir, mas não consegui. Primeiro, a TV ligada e a lâmpada
acesa. Depois, o próprio Áureo não permitiu. Ora falava comigo – embora eu não
lhe desse atenção – ora com o celular.
No horário determinado, fomos à
pé para o Encontro.
O evento foi bonito.
Não houve nenhum tipo de tumulto ou desordem. Aliás, o encontro começou de
forma a mim inusitada: com a benção do Padre Eduardo. Isto mesmo. Padre
Eduardo, de Iriri, é presidente de um MC local.
Enquanto a banda tocava Noites
Traiçoeiras, o cura dizia palavras de alerta aos motociclistas. Abençoou
chaves, carteiras, jogou água benta, enquanto muitos, de mãos estendidas
cantavam e acompanhavam o celebrante de colete e clérgima.
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| Show e benção do Pe. Eduardo |
Terminada a benção, deu início ao
show uma banda de blues, seguida de uma de rock brasileiro. Ao longo daquela
noite, entre comidas e bebidas, víamos motos, encontrávamos velhos conhecidos. Com
fome, quis um hambúrguer. Feito o pedido, soube que ficaria pronto em 30
minutos, tamanha era a quantidade de gente que comprou também. Passei por
tendas de vendas, preguei adesivos no meu colete e vi muita moto bonita. As
motos, aliás, deram-me inspiração pras mudanças que pretendo fazer com minha
Intruder 125cc que está em Contagem-MG.
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| Leviatãs no Show |
Conheci Pierre e sua
esposa, um casal sensacional, que no dia seguinte nos acompanhou de volta a
Guarapari.
Por volta da meia noite voltamos
para o hotel. Paramos pra comer churrasquinho. Não estava maravilhoso. Também,
pelo preço de R$3,00 não dava pra esperar grande coisa.
No dia seguinte fizemos o
desjejum no Hotel. Não era lá grande coisa: bolo cru, torta fria, ambiente
pequeno e lotado. Mas, pra estar com os Leviatãs qualquer negócio nos alegra.
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| Retorno ao Hotel após o Show |
O retorno pra casa foi tão
tranquilo quanto a ida. Pela estrada alguns companheiros resolveram nos
acompanhar, principalmente ao verem nosso comportamento do grupo (velocidade,
sinalizações, etc.).
Novamente paramos em Ibiraçu,
agora em outro restaurante da mesma empresa pra um café, uma água. Seguimos
caminho até Vitória, depois da ponte da passagem. No posto de gasolina vimos
que não havia nenhuma lanchonete.
— Acho que levei uma multa.
Passei debaixo do amarelo. Tomara que não – desabafou Pierre, proprietário da
HD (Harley Davidson) Deluxe.
O mau tempo se aproximava e,
depois da terceira ponte, paramos em um posto de gasolina pra vestir capa e ir
ao banheiro. Infelizmente, algumas pessoas, como a esposa de Pedro, não tinha
capa pra chuva. Seguimos viagem até o Posto de gasolina de Santa Mônica, onde
encontramos Dariomar no dia anterior. Despedimo-nos e voltamos cada um pra sua
casa.
A viagem deixou pra mim uma
grande lição: respeito. Não um respeito qualquer, mas às mulheres. Todos os que
levaram suas esposas e companheiras sentiram-se confortados, pois ninguém, em
momento algum, faltou com o respeito às mulheres, fosse da forma que fosse.
Pelo contrário, elas foram muito bem acolhidas por todos os homens do grupo.
Nem mesmo no Encontro de Colatina houve nenhum tipo de desrespeito.
A lição final: companheirismo. No
Encontro de Colatina tinham muitos motoclubes. Nenhum se comparou a outro, seja
por tipo de moto, seja pelo colete, tamanho do grupo, enfim, por comparação
nenhuma. Pelo contrário, eram pessoas que se cumprimentavam a todo momento.
Presença de mulheres, crianças e idosos, além de cadeirantes e outras pessoas
com algum tipo de deficiência estavam por todo lugar. Tudo num clima familiar,
de descontração. ISTO É MOTOCLUBE.