No dia 25 de setembro de 2016
iríamos fazer um passeio, conforme combinado no Leviatãs Moto Clube, saindo do
posto Esplanada às 06:30h de um domingo. Iríamos. A chuva estragou os planos.
A data foi então adiada para o
domingo seguinte, dia 02 de outubro. Mais uma vez, iríamos. De novo, chuva.
No entanto, leviatã que é leviatã
não desiste. Quer desbravar os 07 mares, custe o que custar. A custa disto, foi
defino que no sábado seguinte, dia 08 de outubro, faríamos o passeio. O recado
foi dado no grupo: “levem capa de chuva. Vamos fazer o passeio, seja com neve,
chuva, furacão. Vamos colocar o pé na estrada”.
Infelizmente, como é sabido pelo
grupo, a semana não foi boa pra mim. Meu sogro faleceu e tive que ir pra Belo
Horizonte apoiar minha esposa no momento tão difícil e triste. Mas, atendendo
ao mesmo pedido da minha amada Flávia, voltei pra Guarapari. E voltei.
Na véspera do passeio, o
presidente definiu que sairíamos às 6:30h. No entanto, teríamos 20 longos
minutos para esperar os retardatários. De verdade? Não gostei da ideia dele.
Infelizmente, somos brasucas e não britânicos. Falar que ficaríamos 20 minutos,
era sinal de que sairíamos de Guarapari às 7h.
Este não foi o pior dos
problemas. Minha moto Fazer 250cc precisava de combustível. Meu saldo bancário,
graças a greve bancária, só tinha 23 reais. Ou seja, pra mim o passeio estava
fora de cogitação. Por telefone, minha amada perguntou-me se iria participar do
passeio. Ao saber do problema bancário, ela (através de seu irmão), transferiu
dinheiro suficiente pra eu fazer uma viagem pra Belo Horizonte!
Preparei para o passeio como bom
mineiro. Verifiquei a previsão do tempo para o dia seguinte, separei jaqueta de
couro, documentos, dinheiro, fone de ouvidos, calçado. Tudo na noite anterior.
Sonhei (literalmente) com o passeio. O sonho foi até engraçado. Ao encontrar
com a galera, TODOS estavam de “bermuda”. Apenas eu de calça. Senti-me, no
sonho, é claro, um peixe fora d’água.
No sábado vi do meu apartamento
as nuvens escuras e mudei as roupas. Deixei a jaqueta de couro e vesti-me com
capa de chuva. Deixei separado a bota para levar. Mais tarde, já na estrada,
descobri que tinha errado completamente. O tempo abriu e eu passei frio na
Serra do Mar.
Apaixonado por moto e viagens, cheguei
no posto Esplanada com 1 minuto de atraso. Ali estavam o presidente Pedro,
Ezequiel e Chicão (o tesoureiro).
Por volta das 06:35h estávamos
colocando o pé na estrada. Levitã é fominha, descobri fácil. Todos os que
disseram que iriam realmente compareceram.
No entanto, era eu quem iria
atrasar o passeio. Como disse, precisava abastecer a moto. Todos, sem
reclamação, pararam comigo no posto de gasolina próximo à BR101. Dali, pé na
estrada.
De início, estranhei. Piloto há 9
anos, nunca tinha pilotado em grupo. O presidente liderou o passeio em boa
parte da ida até o Ponto do Café. O que
me causou estranhamento, como disse mais tarde, foi o fato de que ninguém me
instruiu como deveria me comportar em grupo.
No pedágio, outra surpresa. Foi
nos dito no grupo que o preço do pedágio era R$2,10. Separei previamente em
casa todas as moedas para pagar a travessia. Ao chegar, a surpresa: R$2,25 era
o preço. Mais uma vez atrasei o grupo, pois precisava tirar o dinheiro da
carteira, as moedas do bolso, as luvas, enfim, como fui o último a passar pelo
pedágio, os Leviatãs ficaram parados me esperando.
E a lição veio no último posto de
gasolina antes de entrarmos na BR 262. O presidente deu sinal e paramos ali.
“Pessoal, se alguém se sentir
seguro para ultrapassar um veículo, os demais não devem segui-lo. Apenas se se
sentir seguro também”, disse Pedro.
Seguimos viagem, ora um liderando
o grupo, ora outro. No meio da Serra do Mar, em frente ao Restaurante Vista
Linda, paramos pra tirar fotos. A empolgação de todos era visível. A Adrenalina
estava em alta. Todos muito felizes queriam registrar aquele momento.
Depois de alguns minutos,
seguimos viagem até o Posto do Café, onde paramos pra fazer o desjejum,
conforme combinado no grupo.
O momento foi sensacional. Tive a
oportunidade de conhecer pessoas por trás dos capacetes. Motociclista de Moto
Clube não é apenas um aventureiro. É gente, responsável, e não o marginal, fora
da lei muitas vezes apresentados nas redes sociais, principalmente na
televisão. Não bastasse ser gente, como descobri rapidamente, dos seis
presentes, cinco eram professores. Quatro de Matemática (Pedro, Eu, Chicão,
Dariomar e Ezequiel), o presidente – que
pra ser diferente e destacado – é professor de Cciências e Biologia, além de
Áureo, aposentado sabe-se Deus lá em que. Ou seja, não são apenas pessoas, mas
maridos, pais de família e formadores de cidadãos que apenas querem curtir um
pouco, depois de uma semana de muito trabalho e responsabilidade familiar.
Finalmente, religiosos, como soube por meio de conversa.
“O grupo deveria se chamar
Professores do Asfalto, e não Leviatãs”, sugeriu Ezequiel, o tesoureiro dos
Leviatãs. Entretanto, como o grupo não é exclusivo de professores, é óbvio e
consenso de todos que Leviatãs é o grupo.
Saindo do Ponto do Café pegamos
uma rodovia ES-146 sentido Alfredo Chaves. Mais uma vez atrasei o grupo. Sempre
eu. Agora queria ouvir meu bom e velho rock and roll. O pessoal saiu e teve que
ir devagar até que eu os alcançasse.
Aos que se mantiveram no fim da
fila, a visão era maravilhosa, como citado mais tarde. Ver aquela fila de motos
em movimento numa estrada linda só dava uma tristeza: não podermos registrar
com fotos e vídeos. No mais, era simplesmente uma cena linda, em um cenário
deslumbrante. Aliás, o cenário, com todo respeito aos capixabas, não parecia em
nada pertencer ao Estado. Senti-me no interior das minhas Minas Gerais, ou
qualquer outro lugar. Muito diferente do cenário de litoral, tão conhecido.
Igrejinhas, casas antigas, cenário bucólico, um riacho que nos acompanhava à
nossa direita a todo tempo, em descidas com curvas.
Pressa pra descer a serra? Pra
que? Como não curtir uma moto num cenário tão deslumbrante? IMPOSSÍVEL.
Em Araguaya, um pequeno vilarejo,
o presidente sinalizou para pararmos. Realmente esperei que isto ocorresse.
Senão, teria que voltar depois ali só para registro em imagens. Tiramos algumas
fotos, principalmente em frente ao antigo posto de gasolina.
Seguimos viagem. Como numa freada
brusca, entramos em Alfredo Chaves, cidade que contrasta totalmente como demais
cenário que estivemos entre o Ponto do Café e esta cidade. Seguimos o trajeto
até alcançar a BR 101. Ao chegar ali tivemos dois bons encontros. Na verdade,
dois Moto Clubes. Um de motos customs, outro de motos de altíssima velocidade que
transitavam em sentido contrário ao nosso. Como era de esperar,
cumprimentamo-nos gentilmente.
É, infelizmente o passeio
terminou às 10h no Bar Schmidt, antes mesmo das 11h marcadas pelo presidente.
Só podíamos comemorar o passeio. E foi o que fizemos. Paramos no Bar Schmidt
pra tomar algumas cervejas. É óbvio que o assunto central era o passeio, as
ideias e propostas para nossa viagem a Tiradentes-MG e... moto.
Ao fim, cada um foi pra seus
compromissos. Afinal, cada um tem família. A exceção ficou por conta de Áureo,
que não bebeu, pois iria pra Vila Velha pra compromissos pessoais.
O que o passeio me ensinou?
Algumas coisas.
Dariomar, pai de família,
conseguiu deixar seu filho Antônio com uma cunhada pra passear. Certamente, os
demais fizeram o mesmo, de uma forma ou de outra. O que isto me ensinou? Que
ele merecia passear. Depois de uma semana de muito trabalho, a diversão
saudável não nos afasta de nossos compromissos. Apenas dão um certo “alívio” às
dificuldades que enfrentamos diariamente. Infelizmente, alguns Leviatãs não
participaram do passeio. Como disse, todo leviatã é responsável. E às vezes,
(in)felizmente, os compromissos impedem um simples passeio. Mas, se é leviatã,
com certeza gostaria de ter participado.
Além disto, no início do passeio
fiquei pensando: “o que será bom nesta viagem? Sempre que saio de casa tenho um
objetivo, seja para o trabalho, para as compras, o seja lá o que for. Mas, dar
uma volta de moto para nada? Nada? Que nada! O passeio, além de estar com
pessoas sensacionais, fez-me sentir muito bem, depois de uma semana trágica
como foi a minha. Pena que minha amada Flávia não estava na garupa. Ela que
necessita tanto de um tempo para relaxar!
Bom, que venham outros. Isto é o
que espero. Aliás, não só eu, mas todos os Leviatãs. Temos ainda muitos mares
pra desbravar!
PS: As fotos do passeio estão aqui no blog.
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