Conforme combinado pelo grupo, no
dia 23 de outubro de 2016 marcamos (com ou sem chuva), o passeio para
Marataízes. Não sei se foi por causa da chuva, mas o fato é que apenas quatro
participaram do evento: Áureo, Dariomar, Pedro e eu (Wellington).
No posto Esplanada tomamos a
decisão de ir pela BR 101 até Piúma e, em seguida, seguir pela Rodovia do Sol
até a Lagoa do Siri, em Marataízes. O motivo da decisão foi simples: dinheiro
para o pedágio. Como ninguém tinha separado, seguimos este trajeto.
Ao longo da BR 101, enquanto
acelerava, pensava: ir a Marataízes? Puts! Vamos nessa, pelo grupo, apenas pra
curtir um passeio com a galera. E nada mais. Afinal, Marataízes não tinha nada
de bonito a nos oferecer. Como é sabido por todos, e como bem lembrou Áureo, o
mar estava tomando o que era dele de volta, ou como disse Pedro, “O sertão vai
virar mar, e o mar virar sertão”.
O trajeto seguiu tudo segundo a
normalidade, sem surpresas. Um chuvisco ao longo da estrada, lama, buracos,
coisas bem conhecidas das estradas brasileiras. E eu pensava: lavei minha moto
semana passada (uma bela higienização com cera), e agora passando por meio do
barro e por um monte de quebra-molas, sem contar – como lembrou Pedro – uma
quantidade imensa de padarias em Itaipava.
Ao passar pela ponte que liga
Itaipava a Marataízes, como dizem os psicólogos, gatilhos da minha memória
foram acionados.
De cara lembrei-me das pedras
onde caí com uma garrafa enrolada com linha e anzol de pesca. Carrego no braço
esquerdo a cicatriz dos pontos mal feitos no hospital de Itapemirim, formados
pelos cacos de vidro que entraram no braço com a queda.
Paramos em uma padaria pouco
depois de um antigo comércio onde, sempre que íamos a Marataízes, meu pai
comprava quindim. Nunca mais comi quindim tão gostoso!
Durante o desjejum Dariomar
lembrou a necessidade de beber água depois da bebedeira da véspera. Dentre outros
assuntos, o que se destacou era o de sempre: moto.
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| Dariomar, Áureo e Wellington (Padaria em Marataízes) |
![]() |
| Pedro e Áureo em frente à Padaria (Marataízes) Pedro, |
Seguimos caminhos e lembranças. Uma
antiga lanchonete que se parecia com um bar do velho oeste, agora desativada e
sem telhas.
Eu tomei a frente e seguimos rumo
a Lagoa do Siri. Passamos pela casa do Raimundo da Kisono (que meu pai foi
contador; será que ele ainda está vivo?). O prédio onde meu pai tinha
apartamento e, por este motivo, passei a maioria das minhas férias naquela
cidade – apontei com o braço aos amigos o Ed. Estrela do Mar.
Ao longo deste trecho Dariomar informou-me
que há uma estrada que passa por fora da cidade, asfaltada, que nos levaria ao
destino final. Eu, porém, não o conhecia. Apenas sabia daquela estrada de
terra, onde tantas vezes caminhei com meu pai. Sim, era costume dele me levar
para caminhar. Oito quilômetros pela praia até a Lagoa do Siri e o mesmo tanto
pela estrada de terra. Estes bons momentos que vivi com meu pai trouxe-me uma nostalgia
tal que me deu vontade de chorar.
A Lagoa do Siri era outra lagoa.
Não, não a modificaram, mas o seu entorno. Agora, muito calçamento, muitos
bares. Nada lembrava aquele lugar ermo e distante. Pequenos vilarejos com
pequenos sítios deram lugar a muitas casas ao longo do caminho.
Lagoa do Siri (Marataízes)
Sentado numa mesa de bar
lembrei-me das pescarias com isca feita de água e farinha de trigo, as
diversões com caiaque, meus irmãos pequenos brincando na lagoa, além do
delicioso churrasco de peixe que comíamos ali na beira da lagoa. Também Dariomar
se lembrou de pescarias, além de me mostrar que estavam pescando com uma
pequena rede em forma de circunferência siris. Áureo e Pedro também recordaram
de antigas pescarias.
Com o proprietário do estabelecimento
lembrei-me das três antigas Padarias Paulus da cidade, onde filas enormes se
formavam todas as manhãs para a compra de pães (era a única padaria da cidade).
Esqueci-me, inclusive, de perguntar-lhe se ainda existia alguma ainda. Por
sorte, na saída do centro, sentido Itaipava, próximo a um antigo ponto de trem
vi, à esquerda, uma Paulus (seria a única?).
Pedro, Dariomar, Áureo e Wellington (Lagoa do Siri)
Bar (Lagoa do Siri)
Dariomar e sua moto (Lagoa do Siri)
Mirage (Pedro), Falcon (Áureo), Fazer (Wellington), CBR 300 (Dariomar)
Logo depois da Paulus me lembrei
da antiga Telestes, onde filas imensas eram formadas todos os dias para os
turistas que tentavam, por horas a fio, uma ligação telefônica para suas casas.
Atravessamos a ponte sobre o Rio
Itapemirim e, com o sinal de Pedro, paramos à beira da rodovia. Foi
maravilhoso. Tirei foto das motos e das pedras que me marcaram (literalmente) o
tempo.
– Quer experimentar pilotar minha
moto?
O convite de Pedro soou como
música aos meus ouvidos. Sempre tive muito ciúme da minha branquinha (Fazer 250cc).
Porém, poder pilotar, pela primeira vez na vida, uma moto custom, era demais.
Pausa depois da ponte para troca de motos (Marataízes)
Até Itaipava pilotei a Mirage de
Pedro. Que sensação maravilhosa. A moto era macia, agradável na pilotagem. É claro
que estranhei a pedaleira e tive dificuldade de desligar a seta. Mas, fazer o
que, né? Deixei Pedro me ultrapassar com minha Fazer, enquanto eu me deliciava
com uma moto de suspensão macia e pneu traseiro de fusca que eu pilotava como
quem pilota um barco, balançando para a direita e para a esquerda, ao som de
Hard Rock. Agora eu era um piloto dos anos 70. Estava em outro mundo.
Em Itaipava voltamos para nossas
motos. Meu sonho era certo. Um dia teria uma Midnight Star da Yamaha (ainda não
a tenho).
À medida que voltávamos pra casa
a nostalgia ficava pra trás, levado pelo vento que soprava em meu rosto. Triste
com aquela história e muitas lembranças? Jamais. Arrependido como passeio?
Nunca. Estar com pessoas bacanas, gentis, amigas e responsáveis é sempre
maravilhoso. Por menor que seja o tempo, é sempre bom estar entre amigos.
Depois de Anchieta, ao som de “Are
you Ready?” (Grand Funk Reloaded) aceleramos até 130km/h. Sim, somos
motociclistas que curtem lugares, pessoas, mas também de velocidade (sempre de
forma responsável, no lugar certo)
Paramos em Bacutia, em Nova
Guarapari pra fotos, além de falarmos da viagem a Tiradentes e Ouro Preto
marcada para os dias 10 e 11 de dezembro de 2016, além de algum outro passeio
que faremos antes.
Pausa em Bacutia - Nova Guarapari
É claro que toda esta nostalgia
teria que ser celebrada. E foi.
Por mensagem telefônica, minha
esposa disse que o almoço seria especial. O cardápio era nostálgico: arroz,
tutu, fritas, macarronada e frango assado. Só faltou o programa do Silvio
Santos. Na televisão um programa esportivo comemorava Pelé, seu aniversário e
seus jogos inesquecíveis.
Que dia nostálgico. E maravilhoso!









Ei, camarada, show esse seu texto. Parabéns! Você já é do ramo? Escreva sempre histórias como essa.
ResponderExcluirObrigado, Hugo. Sou escritor há muito tempo. Já escrevi romances (ficção, aventura, infanto-juvenil), além de peças de teatro, crônicas, contos e artigos teológicos. Fui designado pelo grupo para esta função.
ExcluirMais uma vez, MUITO OBRIGADO pelo elogio. Se precisar, estamos aí.
Valeu!
Pois é, deu pra ver que você é bom de caneta. Legal. Espero ver outras coisas suas. Que sorte do Grupo contar com você ! Hora dessas a gente se vê.
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