sexta-feira, 7 de julho de 2017

Diário de um Leviatã 5

Seria minha primeira participação num Encontro de Motociclistas. Tudo bem que em 2016 estive no Moto Rock em Guarapari-ES, mas não passava de um curioso. Não era membro ainda dos Leviatãs.

Por incrível que possa parecer, o evento não era o que me empolgava, mas havia um bom tempo que saía com a galera. Faculdade, trabalho, etc. eram os reais argumentos que me impediram de participar dos últimos rolés.

Desta vez o passeio tinha uma novidade: um número maior de esposas, além da presença de novatos. Ricardo e sua companheira iriam, além de um amigo de Ezequiel como carona. Infelizmente, sentiríamos falta de um HC (Homem de Colete, termo criado por mim): o vice-presidente Chicão que, por motivos familiares, não iria.

Na sexta-feira, 23 de Junho, reunimos na casa de Pedro, presidente, para alinharmos a viagem. O churrasco e os acompanhamentos, muito bem preparados por Pedro e Anna, sua esposa, foram servidos pelas cervejas levadas por cada um. Estiveram presentes, se não me engano, além dos anfitriões, Ricardo e a companheira, Dariomar, Áureo, Ezequiel, Klebin e a esposa, que chegaram quando eu estava saindo.

Definidos os horários de saída, 9 horas do sábado, dia 01 de julho, a partir do posto Guarave, encontraríamos Dariomar no posto de gasolina de Santa Mônica. Aliás, o horário de saída foi assim determinado porque sabíamos que a viagem duraria cerca de 3 horas, além de o encontro começaria à tarde, com shows à noite.

Assim o fizemos.

Desta vez decidi não levar bolsa amarrada no banco do carona, mas uma simples mochila nas costas com roupas e matérias de higiene pessoal.
Saída - Posto Guarave

Às 9 horas, conforme combinado, todos chegaram. Foi impressionante. Ninguém se atrasou.

Motos limpas, pneus calibrados, cumprimentos. Tudo estava pronto para nosso passeio.

Conforme combinado, encontramos com Dariomar e sua esposa no Posto de Santa Mônica. Novos cumprimentos.

Nesta viagem decidimos por algo simples, mas se mostrou eficiente. O presidente arrecadou da maioria o dinheiro necessário para pagar os três pedágios: Guarapari-Vila Velha, Vila Velha-Vitória e o depois da Serra (não me lembro da divisa com qual cidade). Também, pela primeira vez, tive uma falsa sensação de passar pelo pedágio sem pagar, como num ato infracional. Aquela ideia, embora errônea, de alguma forma me fez bem. É fato que há tantos impostos que pagamos, que não concordo com o pagamento de tais passagens. Porém, como dizia meu pai: “Dura Lex, Sed Lex” (A lei é dura, mas é a lei).

Fizemos nossa primeira parada ainda na Serra. Foi importante principalmente para os caronas relaxarem um pouco. Na oportunidade soube que a companheira de Ricardo dormia durante a viagem:

— Na Rodovia do Sol eu dormi. Mas aqui na Serra, com o trânsito pesado, ficou mais difícil.

— O tempo todo tenho que ficar batendo na perna dela, pra acordar. Já estou acostumado. Ela é assim mesmo – justificou Ricardo.

Depois de Serra, não sei quantos quilômetros percorremos. O fato é que Áureo ultrapassou a todos e pediu para que parássemos. Pedro tinha ficado pra trás por um motivo simples. A bolsa de viagem, que estava amarrada, soltou-se, caindo perto de um cafezal.

Restaurante Ibiraçu


Seguimos viagem até o Restaurante Ibiraçu, onde paramos para o café. Comi apenas um pastel, pois fiz o desjejum antes de sair de casa (diabético não pode ficar sem comer).

Restaurante de Ibiraçu




Na saída do lanche parei para momento de contemplação: a chegada dos irmãos ricos. Chamava assim ao grupo de motociclistas formado por motos caras (normalmente Harley Davidson). Bom, é fato que não fui o único a contemplar aquela imagem maravilhosa. Meus companheiros fizeram o mesmo.



Harley Davidson no Restaurante Ibiraçu
Também aproveitamos o momento para conversar com membros de outro MC (Moto Clube) que estavam esperando resolver o problema de pneu furado de um companheiro deles. Tratava-se de um grupo de vinha do interior de Minas Gerais.

Dali partimos para o trecho mais complicado da viagem: a estrada para Colatina.



É bem verdade que a estrada estava muito tranquila, com poucos buracos. O problema era a falta de acostamentos, além de uma cena terrível que vimos: um caminhão, durante uma ultrapassagem, foi seguido por um pálio que queria ultrapassá-lo pelo canto contrário da pista contrária, ou seja, onde “teria” um acostamento. Assistimos a tudo atônitos.
Eu na chegada a Colatina

No mais a viagem seguiu tranquila até chegarmos a Colatina, onde paramos por um motivo que até agora eu não sei. A única certeza que tenho é que atravessamos a ponte e retornamos, pois tínhamos passado do local de entrada para a cidade.

O evento estava, literalmente, na entrada da cidade.

Entramos com nossas motos. Paramos, mas não descemos. Decidimos ir para o hotel onde, após check in, iríamos sair pra almoçar e descansar até às 18:30h, quando iríamos para o Evento.

Assim o fizemos. No hotel, após o check in e deixarmos nossas coisas nos quartos, encontramo-nos no saguão para o almoço. Ricardo e sua companheira não foram, pois estavam satisfeitos com o lanche que fizeram em Ibiraçu.
Restaurante Água Viva

Encontrar um restaurante aberto foi uma luta. Sorveterias, haviam muitas abertas. Restaurante, encontramos um que estava pra fechar as portas. Entramos e nos servirmos do restante da comida que ali estava. Ezequiel e seu companheiro preferiram um lanche na padaria. Deixou-se e foi ao seu objetivo.

Avenida em Colatina
Após o almoço passamos por um supermercado local pra comprar bebidas e comidas. À tarde, no hotel, dividi o quarto com Áureo. Quis dormir, mas não consegui. Primeiro, a TV ligada e a lâmpada acesa. Depois, o próprio Áureo não permitiu. Ora falava comigo – embora eu não lhe desse atenção – ora com o celular.

No horário determinado, fomos à pé para o Encontro.

O evento foi bonito. Não houve nenhum tipo de tumulto ou desordem. Aliás, o encontro começou de forma a mim inusitada: com a benção do Padre Eduardo. Isto mesmo. Padre Eduardo, de Iriri, é presidente de um MC local.

Enquanto a banda tocava Noites Traiçoeiras, o cura dizia palavras de alerta aos motociclistas. Abençoou chaves, carteiras, jogou água benta, enquanto muitos, de mãos estendidas cantavam e acompanhavam o celebrante de colete e clérgima.
Show e benção do Pe. Eduardo
Terminada a benção, deu início ao show uma banda de blues, seguida de uma de rock brasileiro. Ao longo daquela noite, entre comidas e bebidas, víamos motos, encontrávamos velhos conhecidos. Com fome, quis um hambúrguer. Feito o pedido, soube que ficaria pronto em 30 minutos, tamanha era a quantidade de gente que comprou também. Passei por tendas de vendas, preguei adesivos no meu colete e vi muita moto bonita. As motos, aliás, deram-me inspiração pras mudanças que pretendo fazer com minha Intruder 125cc que está em Contagem-MG.

Leviatãs no Show
Conheci Pierre e sua esposa, um casal sensacional, que no dia seguinte nos acompanhou de volta a Guarapari.

Por volta da meia noite voltamos para o hotel. Paramos pra comer churrasquinho. Não estava maravilhoso. Também, pelo preço de R$3,00 não dava pra esperar grande coisa.

No dia seguinte fizemos o desjejum no Hotel. Não era lá grande coisa: bolo cru, torta fria, ambiente pequeno e lotado. Mas, pra estar com os Leviatãs qualquer negócio nos alegra.

Retorno ao Hotel após o Show


O retorno pra casa foi tão tranquilo quanto a ida. Pela estrada alguns companheiros resolveram nos acompanhar, principalmente ao verem nosso comportamento do grupo (velocidade, sinalizações, etc.).

Novamente paramos em Ibiraçu, agora em outro restaurante da mesma empresa pra um café, uma água. Seguimos caminho até Vitória, depois da ponte da passagem. No posto de gasolina vimos que não havia nenhuma lanchonete.

— Acho que levei uma multa. Passei debaixo do amarelo. Tomara que não – desabafou Pierre, proprietário da HD (Harley Davidson) Deluxe.

O mau tempo se aproximava e, depois da terceira ponte, paramos em um posto de gasolina pra vestir capa e ir ao banheiro. Infelizmente, algumas pessoas, como a esposa de Pedro, não tinha capa pra chuva. Seguimos viagem até o Posto de gasolina de Santa Mônica, onde encontramos Dariomar no dia anterior. Despedimo-nos e voltamos cada um pra sua casa.

A viagem deixou pra mim uma grande lição: respeito. Não um respeito qualquer, mas às mulheres. Todos os que levaram suas esposas e companheiras sentiram-se confortados, pois ninguém, em momento algum, faltou com o respeito às mulheres, fosse da forma que fosse. Pelo contrário, elas foram muito bem acolhidas por todos os homens do grupo. Nem mesmo no Encontro de Colatina houve nenhum tipo de desrespeito.


A lição final: companheirismo. No Encontro de Colatina tinham muitos motoclubes. Nenhum se comparou a outro, seja por tipo de moto, seja pelo colete, tamanho do grupo, enfim, por comparação nenhuma. Pelo contrário, eram pessoas que se cumprimentavam a todo momento. Presença de mulheres, crianças e idosos, além de cadeirantes e outras pessoas com algum tipo de deficiência estavam por todo lugar. Tudo num clima familiar, de descontração. ISTO É MOTOCLUBE. 

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